Publicado por: Camila em: Maio 18, 2009
Apesar do imenso atraso, aqui vai a lista do que li no mês passado:
O último livro da série Harry Potter é, sem dúvida, um excelente fechamento para a trama. Bem, não exatamente um “fechamento”, já que o último capítulo permite uma continuação, ainda que por meio da geração seguinte dos Wealey e dos Potter. Ooops, acho que falei demais.
De todo modo, é bom ler um romance onde o bem triunfa de um modo não burro e não fácil.
Para matar a saudade recém-nascida da trama bruxa, li Animais fantásticos e onde habitam de uma só vez. Tá, é verdade que o livro é curto, mas enfim… Muito legal ver os comentários e conversas entre Harry e Rony nas páginas do livro. E mais legal ainda é saber que o dinheiro arrecadado com a venda da obra é integralmente revertido para o amparo de instituições de caridade.
Por fim, Seda. Nossa… Ler Seda foi como um rápido mergulho num lago dos mais aprazíveis. Simples, direto, poético, curiosamente repetitivo – mas de um jeito divertido – e profundo. Mais um daqueles livros que ao abrir, não consegui parar de ler até chegar ao fim.
Também comecei outras leituras neste mês. O Senhor dos Anéis foi um delas. Seguido por Cultura de interface. Dois livros que eu tenho plena certeza da qualidade, mas que simplesmente não encontrava-me “no clima” para ler. Finalmente, comecei então Biblioterapia, um livro com o qual já me havia deparado algumas vezes, em tentativas mal-sucedidas de leitura, mas que somente agora tenho conseguido levar a termo. Provavelmente este será meu único livro no mês de maio, dada a sua densidade e riqueza. Tenho me perdido, me encontrado e me transformado com sua leitura – como vocês devem ter percebido nos meus cada vez mais frequentes esboços de coisas diferentes. E prometo uma explicação um pouco mais pormenorizada sobre tudo isso no mês que vem.
Publicado por: Camila em: Maio 17, 2009
É quando sustento um olhar tipicamente estrangeiro sobre as coisas cotidianas – um olhar cheio de surpresa, admiração e ternura – que me descubro mais em casa. É como se esse meu olhar estrangeiro devolvesse a proporção mais precisa às pessoas, coisas e lugares da minha vida rotineira. É um olhar que por se fazer respeitosamente distante encontra-se sempre mais perto daquilo que mais facilmente se torna imperceptível – e que é mais precioso. De certo modo, sou estrangeira em mim mesma.
Publicado por: Camila em: Maio 15, 2009
Por certo há entre meus leitores quem não esteja entendendo nada a respeito destes meus últimos posts. Pensando nisso, uma palavra (tão difícil!) de explicação me pareceu bastante justa.
Acostumada como estou, especialmente em função dos anos de academia, a desenvolver o máximo possível os raciocínios, com o máximo de transparência, lógica e clareza nas conexões, acabei, como bem diz Thoreau, a criar um “trilha batida” no caminho do pensamento, uma via estreita e sempre igual na forma de me expressar, traduzir-me a mim mesma e ao mundo. E qualquer um com um pouquinho de inquietação na alma acaba cansando disso, tanto de escrever quanto de ler coisas assim, sempre tão explicadas, ainda que nem sempre pouco difíceis.
Então, fiéis visitantes, tenho buscado novas trilhas, menos batidas e menos estreitas, por novos caminhos, repletos de novas leituras e de novos horizontes. Daí os experimentos com a permuta das letras, as brincadeiras com a gramática, a repetição das duplicidades e os versos sobre o nomear. E é apenas o começo.
Por mais estranho que pareça, acredito profundamente no fato de sermos criaturas que nos relacionamos conosco e com tudo o mais por meio da linguagem. Somos por ela constituídos e constituímos o(s) mundo(s) com ela. Assim, explorá-la, ainda que de um modo bastante aleatório e desregrado, tem sido um explorar-me e uma exploração do mundo todo. Novas formas e novos conteúdos têm surgido, o que necessariamente conferirá novos tons a este espaço.
Obrigada, mais uma vez, pela frequência e pela paciência em acompanhar esta rabiscadora eterna e metamorfoseantemente in process (mas sem picaretagem). ;]
Publicado por: Camila em: Maio 15, 2009

Dar nomes aos bois nem sempre os torna menos selvagens.
Há sempre algo incontornável neste batismo linguístico.
De todo modo, é sempre um começo saber como referir-se a eles.
Pela etimologia e pela hermenêutica encontrar-se-á toda a família.
O que, de certo modo, continua sendo apenas o começo…
Publicado por: Camila em: Maio 14, 2009
Um romance é uma vida apreendida enquanto livro. Toda vida tem uma epígrafe, um título, um editor, um prólogo, um prefácio, um texto, notas, etc. Ela os tem ou pode tê-los.
Novalis, Roman des origines et origines du roman.
Publicado por: Camila em: Maio 13, 2009
De um livro para outro e de uma palavra para os versos:
Eu não sou mundana nem sou divina. Eu sou sublunar.
E daí para as imagens:

E para o poema do Bilac:
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso”! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
(Olavo Bilac, Soneto XIII da Via Láctea)
E minha colcha deste dia está quase pronta.
Publicado por: Camila em: Maio 13, 2009
Se me falta ação,
ensine-me verbos.
Se me falta razão,
dê-me pronomes.
Se me falta emoção,
sugira-me substantivos.
Se me falta imaginação,
cerquem-me os sujeitos.
Publicado por: Camila em: Maio 9, 2009
Uma das coisas que me salvou durante esta semana foi a seguinte imagem:

Entre tantas pressões externas e internas, é difícil descobrir, conhecer e respeitar o próprio tempo. E, neste tempo específico, difícil também é encontrar-se quem se é.
Como impressionista que sou, fiquei feliz ao ver que Van Gogh, o “cara” do movimento, começou aos 27. Sinal que ainda estou dentro do “prazo de validade”.
Outra hora eu explico melhor tudo isso. Espero simplesmente que, assim como foi para mim, a imagem sirva de alento a outros que por ventura ou desventura ainda estejam por começar.
Mas sem cortar a orelha, tá?
Publicado por: Camila em: Maio 7, 2009

Vera cedo anoiteceu
e descansou.
Erva doce amanheceu
e sorriu.
Não resisti à vontade de dividir essa minha brincadeira com vocês. Ando econômica com as palavras, como se pode ver. A propósito, a imagem nada tem a ver com erva doce. Eu a escolhi em função do contraste. 
Publicado por: Camila em: Maio 6, 2009
Queridos leitores que ainda não desistiram de visitar este modesto blog, obrigada pela persistência! Tenho vivido um tempo diferente e muito importante para meu próprio crescimento. Trata-se de um tempo de mais leitura, silêncio e atenção do que de escrita, conversa e dispersão. De todo modo, deixo-lhes aqui um vídeo bastante simples, mas suficientemente agradável, e que expressa meu atual estado de espírito: uma versão instrumental de All of me, clássico do jazz imortalizado nas vozes de Ella Fitzgerald e Frank Sinatra.