metamorfoseantemente

Citando…

Publicado por: Camila em: Junho 22, 2008

Conselhos para sobreviver ao mundo gospel
Ricardo Gondim.

O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno.
Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.
Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis.
O que fazer? Tenho algumas idéias.
Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação – inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras – idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam.
Não vá a congressos – inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos “louvorzões”. Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique, a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da “teologia da prosperidade”. Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso.
Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério:
Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro? A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”? Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis? Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado.
Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta.
So haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira – o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar.
Concordo, ninguém agüenta o jeito como as coisas estão.
Soli Deo Gloria.

4 Respostas para "Citando…"

Mundo bostel este, heim!

Bah, Fábio, infelizmente sim.
O protestantismo tá praticamente “entregue”…

Será que só o distanciamento será suficiente para tirarmos tantas “neuroses instaladas em nome de Deus?” ao longo dos anos?
que Deus nos ajude neste momento de tantos questionamentos e nenhuma resolução p/ o futuro da igreja neste formato que temos até hj.
obrigada por compartilhar este belo texto do Gondim.
abç
Helena

Oi, Helena.
Com certeza e infelizmente isso não é o bastante.
Publiquei o texto mais com o intuito de gerar reflexão e talvez como sugestão de um primeiro passo.
Como o próprio Kierkegaard sugeriu, é preciso que nos desintoxiquemos. E isso não somente por meio da abstenção, mas do vomitório propriamente dito – coisa nada agradável e por vezes até dolorosa.
Acho, sinceramente, que quanto à questão do formato, não existe resolução. Eu, de minha parte, nunca consegui levar a sério a impessoalidade da pessoalidade do relacionamento fraterno. Ou seja, não consigo acreditar que aglomeramento de pessoas signifique comunhão. Assim como não consigo acreditar em fé que não se preocupe com os “de fora” – e falo aqui de trabalho social, de engajamento de algum tipo, de compaixão prática – que comunique amor em gestos e não em palavras para com aqueles que não professam a mesma fé.
Acho que a solução, pelo menos é assim que vejo atualmente, é convívio despretencioso com algumas poucas pessoas que queiram dividir seu tempo e suas vidas conosco, se freqüentando mutuamente, se ajudando, discordando, respeitando, fazendo coisas juntas e até orando e estudando a Bíblia juntas, vez por outra.
Obrigada pela visita, pelo comentário e pelo partilhar de tua inquietação!
Abração!

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