Publicado por: Camila em: Outubro 9, 2008
Hoje acordei com essa música na cabeça e acabei não resistindo: resolvi publicá-la aqui. Para mim, é uma das mais bonitas e que melhor caracteriza essa “aura” que envolve o gaúcho e a sua terra. Lembra-me especialmente as tempestades de São Luís Gonzaga, onde passei quase toda minha infância. Espero que tão repentina lembrança seja um presságio de “viração” em minha vida, como diz a música.
Para quem não sabe, Vento Negro foi composta nos idos de “mil novencentos e guaraná de rolha” pelo atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça. E os músicos, como pode-se ver no título do vídeo, são os irmãos Ramil: Vitor, Kleiton e Kledir. Infelizmente as legendas aparecem e somem o tempo todo ao longo da gravação, por isso decidi acrescentar a letra na íntegra aqui, ao final do texto, assim como uma pequena “tradução” para quem não está familiarizado com algumas expressões gauchescas.
Vento Negro
Onde a terra começar
Vento Negro gente eu sou
Onde a terra terminar
Vento negro eu souQuem me ouve vai contar
Quero luta, guerra não
Erguer bandeira sem matar
Vento Negro é furacãoTua vida o tempo
A trilha o sol
Um vento forte se erguerá
Arrastando o que houver no chãoVento negro, campo afora
Vai correr
Quem vai embora tem que saber
É viraçãoDos montes, vales que venci
Do coração da mata virgem
Meu canto, eu sei, há de se ouvir
Em todo o meu paísNão creio em paz sem divisão
De tanto amor que eu espalhei
Em cada céu em cada chão
Minha alma lá deixei
A chamada viração expressa a força e a rapidez com que as tempestades prenunciadas pelo vento negro ocasionam por onde passam, isto é, o que de repente era uma calmaria de temperatura alta, por exemplo, através do vento que traz a tempestade, após a chuva, transforma-se num dia frio e com vento. Enfim, a idéia é de mudança intensa, radical, porém, “natural”, como parte de um processo. E o verso “quem vai embora tem que saber” dá a idéia de que, mesmo quem já está, de algum modo, mudando, deve estar preparado para sofrer ainda maiores mudanças do que o que foi inicialmente pretendido.
Por fim, vale chamar a atenção para o verso “não creio em paz sem divisão”, o qual não deve ser considerado isoladamente, gerando uma interpretação de cunho separatista. O sentido de “divisão” deve ser compreendido à luz de “espalhei”, presente no verso seguinte. Assim, “não creio em paz sem divisão” pode ser lido como se dissesse “não creio em paz sem doação, sem compartilhar aquilo de bom que se tem” e, com isso, incluir a todos, como nos versos “em cada céu, em cada chão, minha alma lá deixei”.
Como dizemos por aqui, um “baita” som.
A arte, os versos, a poesia … desconhecem partidos e intenções políticas – do agora e do depois.
Mas muito bem explicado o negócio de dividir, compartilhar … Sei de Álguém que veio com essa mensagem
Oi Camila:
Espero não ter ofendido ou causado algum mal estar com meu comentário. Eu quis dizer apenas que – realmente – considero o Fogaça um bom compositor. Quanto a sua atuação política considero ‘morna’ – o que não significa ser ruim ou boa.
De outra parte, não consigo desligar arte de alguma intenção. E toda intenção, no meu entender, é uma escolha política. Ao produzir/criarmos arte fazemos uma opção e, me parece, começando pela linguagem.
Enfim, acho que o ímpeto de querer conversar às vezes pode trazer falhas na comunicação.
Grande abraço,
Levi Nauter
Ai! Que saudades! Da minha infância e juventude vividas no paralelo 30!
sem dúvida,vento negro é uma inspiração divina…a mais bela das letras,a mais profunda…maravilhosa!!!
queria entender mais os objetivos desta musica, faço serviço social e vento negro foi tema de um trabalho meu, gostaria de saber se essa musica era pra xamar os jovens pra lutar, ou se pra xamar a popualação pra erguer a bandeira do comunismo…gostaria de trocar conhecimentos com outros amigos…
Outubro 10, 2008 às 1:44 pm
Sempre considerei que como prefeito, Fogaça é um perfeito compositor.
Músicas assim é que merecem o título de HINO
LNM